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Prócida: A Ilha Tranquila que Roubou a Viagem

Prócida: A Ilha Tranquila que Roubou a Viagem

Eu tinha planejado ir a Capri. Estava falando em ir a Capri desde antes de reservar a viagem. A Gruta Azul, as rochas Faraglioni, o teleférico até o topo — tinha um roteiro mental solto e tudo mais. E então, na manhã do dia, parado no Molo Beverello com um bilhete de balsa na mão, vi alguém no balcão ao lado comprando um bilhete para Prócida, e pensei: por que não?

Esta é a história de esse impulso ter sido completamente correto.

A Chegada de Balsa

Prócida fica a trinta e cinco minutos de Nápoles de balsa rápida (hidrojato), que parte do Molo Beverello várias vezes ao dia. Os bilhetes de retorno custam cerca de €22. A ilha aparece primeiro como um amontoado de cores no horizonte — ocre, terracota, amarelo desbotado — e então gradualmente se resolve em algo mais específico e mais estranho: um porto de trabalho genuíno com barcos de pesca de verdade, redes de verdade secando em postes de verdade, e um cais que claramente não foi otimizado para o Instagram.

Esta é a primeira coisa que você nota sobre Prócida: ela não se esforçou muito para acomodar você. Não há grandes hotéis de resort, não há butiques vendendo limoncello artesanal a preços de butique, não há fila para nada. A balsa desembarca seus passageiros — principalmente moradores, um punhado de turistas — e a cidade os absorve sem cerimônia.

Marina Corricella

Vire à esquerda do porto principal e chegará à Marina Corricella em cerca de vinte minutos, seguindo o caminho costeiro ao redor do promontório. Esta é a famosa imagem postal de Prócida: um crescente de casas altas e estreitas em tons de pêssego, amarelo e vermelho desbotado, empilhadas pela encosta acima de um pequeno porto de pesca. Barcos pintados de cores vivas, gatos nos degraus, tudo isso.

As fotos não mentem, mas também não captam a escala — é pequena, íntima, tranquila. No dia em que visitei, uma terça-feira no final da primavera, havia talvez trinta turistas em toda a área do porto. Compare isso com o cais de Amalfi na mesma época do ano, onde a palavra “lotado” mal dá conta.

Almoço numa das trattorias à beira do porto: spaghetti al nero di seppia (€12), anchovas fritas e frutos do mar mistos (€10), vinho branco da casa a copo (€4). O peixe tinha sido capturado naquela manhã e toda a refeição tinha aquele sabor. Isso não é um elogio ao restaurante — era simplesmente competente, local e honesto — é uma observação sobre o padrão base aqui.

Por Que Supera Capri para Algumas Pessoas

Quero ser cuidadoso aqui porque esta é uma comparação que pode cair em esnobismo: “Eu prefiro a versão não explorada, veja bem.” Não é esse o ponto. Capri é linda e tem cenários genuinamente espetaculares. Mas ela exige muito de você. As multidões, os preços, o esforço de não se decepcionar com a Gruta Azul depois de toda aquela fila — há muito atrito para uma excursão de um dia.

Prócida não exige muito. É pequena o suficiente para atravessar a pé em uma hora. A comida custa o que a comida deveria custar. Ninguém está tentando te vender nada muito insistentemente. O ponto alto — Marina Corricella — é gratuito para apreciar e fácil de alcançar. Não há uma única atração imperdível para a qual todos se aglomeram.

O que Prócida tem, em vez disso, é atmosfera. O tipo que você absorve caminhando devagar pelas ruelas acima do porto, ou sentado no molhe à tarde com uma cerveja que custou €3, observando nada em particular acontecer.

Indo de Barco a partir de Nápoles

Se você quiser combinar Isquia e Prócida num único dia — as duas ilhas, dia completo, com almoço incluído — o passeio de barco de dia inteiro saindo de Nápoles cobrindo as duas ilhas com almoço é uma boa opção. Ele cuida de toda a logística e dá tempo em ambas as paradas sem o malabarismo de balsas.

Para algo mais privado — um grupo menor, o seu próprio ritmo, a possibilidade de parar nas enseadas de natação entre as ilhas — o passeio de barco privado saindo de Nápoles para Isquia e Prócida é a versão elevada. Os preços refletem a diferença, mas a experiência também.

A Terra Murata

Antes da balsa de retorno, subi até a Terra Murata — a antiga cidade fortificada no ponto mais alto da ilha. A subida leva cerca de vinte minutos e é íngreme o suficiente para desencorajar a maioria das pessoas, o que a mantém agradavelmente vazia. No topo, a abadia de San Michele Arcangelo, a antiga prisão (agora fechada, sua fachada ainda imponente), e vistas sobre a baía até Nápoles, com o Vesúvio atrás, Capri visível à distância.

Era o tipo de vista que te faz feliz por ter ido a algum lugar inesperado.

O Que Saber Antes de Ir

Prócida é genuinamente pequena — você consegue caminhar toda a sua orla em três a quatro horas. Não há necessidade de alugar uma scooter ou um táxi. Leve dinheiro; as maquininhas de cartão existem, mas são irregulares. A ilha pode parecer tranquila fora da alta temporada, com alguns restaurantes fechados durante a semana. Em julho e agosto fica mais movimentada — ainda nada como Capri ou Positano, mas o caráter muda um pouco.

Um dia é a quantidade certa de tempo. Peguei a balsa das 17h sentindo que tinha encontrado algo que a maioria dos visitantes de Nápoles perde completamente. Essa sensação é, suspeito, parte do motivo pelo qual as pessoas que estiveram em Prócida tendem a recomendá-la de forma tão quieta e específica. Elas não querem que ela seja estragada. Compreensível.